Prefeita de Sapiranga é condenada por esquema de desvio de combustíveis e afirma estar surpresa com decisão judicial
Denúncias e condenação
A Justiça do Rio Grande do Sul condenou nesta terça-feira (30) a prefeita de Sapiranga, Carina Patrícia Nath Corrêa (PP), por improbidade administrativa relacionada a um esquema de desvio de combustíveis da frota municipal.
Conforme a sentença da Vara Estadual de Improbidade Administrativa assinada pela juíza Cristiane Busatto Zardo, o esquema teria ocorrido entre 2013 e 2016, quando Carina Nath ocupava o cargo de secretária de Administração, antes de se tornar prefeita.
Como funcionava o esquema
Segundo a decisão judicial, foram constatadas fraudes como:
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Abastecimentos que ultrapassavam a capacidade dos tanques dos veículos;
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Uso de veículos já leiloados, mas ainda inscritos para abastecimento;
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Manipulação de planilhas e registros, adulteração de quilometragem e lançamentos fraudulentos;
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Parte dos volumes desviados teria sido convertida em créditos para beneficiar campanhas eleitorais.
O prejuízo estimado aos cofres públicos passa de R$ 388 mil.
Além de Carina Nath, também foram condenados:
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O ex-secretário de Obras, Eduardo Freese;
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O empresário Jeferson Vargas Cardoso;
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A empresa Auto Posto das Rosas Ltda.
Foram aplicadas, entre outras penalidades, suspensão de direitos políticos por cinco anos, proibição de contratar com o poder público por períodos que variam entre três a seis anos, e multas correspondentes ao dano causado.
Por outro lado, foram absolvidos no processo a ex-prefeita Corinha Molling, a servidora Mozara Regina Werb e o presidente da comissão de sindicância Igor Edgar Menegusso, por falta de dolo específico.
Reação da prefeita: “pegue de surpresa”
Em pronunciamento nas redes sociais, Carina Nath declarou que foi “surpreendida com essa decisão judicial”. Ela afirmou que o processo não estaria vinculado à sua gestão atual, mas sim a atos praticados em administrações anteriores nas quais atuou como secretária.
A prefeita disse que respeita a decisão, mas não concorda com ela, alegando que a condenação não levou em conta as provas apresentadas em sua defesa. Segundo ela:
“Jamais colaborei para qualquer tipo de irregularidade na vida pública”.
“Seguirei de cabeça erguida, trabalhando dia e noite pela minha cidade … vamos buscar a verdade e a justiça no Tribunal de Justiça.”
A defesa sustenta que serão interpostos recursos para reverter ou moderar a decisão.